Por Nuernberg Em releases Atualizada em 30 JUN 2020 - 15H09

Reflexões sobre espaços geográficos e nações em tempos de pandemia




Partindo de uma reflexão sobre a transformação da sociedade como um todo, algumas noções atreladas à espaços globais surgem, principalmente em um momento marcado pelas análises e ações que buscam a contenção de uma pandemia.

Quando olhamos para o planeta Terra, vemos muitos espaços geográficos que foram divididos em diferentes puzzles compostos por diferentes formas e formatos que dão vida a diferentes fronteiras. São fronteiras geográficas, étnicas, ideológicas, de desenvolvimento e tantas outras que estão nos dividindo.

Em outras palavras, quero dizer que o nosso mundo integrado tornou-se um mundo fragmentado por meio de inúmeras fronteiras naturais e sintéticas. Trata-se de um lugar onde os atores em cada um dos espaços geográficos têm feito grandes esforços para evitar estratégias competitivas e, às vezes, com a prevenção de estratégias colaborativas e interativas com outros espaços, se tornam capazes de fornecer o terreno para a mudança desse espaço.

Neste âmbito, os espaços nacionais acabam representando a maior importância e prioridade, tendo a ação de cada governo no sentido de desenvolver todos os esforços para regular o espaço de seus cidadãos. Até porque, o território nacional, composto por seus cidadãos, é uma organização baseada em áreas que demandam, principalmente, segurança nos diferentes níveis, inclusive no quesito sustentabilidade biológica e humana.

Espaços e nações
Ao longo dos últimos séculos, a estratégia atrelada à representatividade de cada nação tem estado no centro dos países, sendo priorizada por meio da organização das áreas geográficas de cada um deles. O movimento reflete todos os esforços governamentais no sentido de melhorar os espaços geográficos e torná-los mais produtivos.

Após a Segunda Guerra Mundial, com a formação das Nações Unidas e com o advento da globalização, desenvolveu-se o terreno para uma maior coesão intergovernamental e os países tornaram-se econômica e parcialmente interdependentes e interligados politicamente.

À medida que essa conexão aumentava, as possibilidades de otimizar a ligação entre os espaços geográficos e de expandi-los globalmente também aumentava. Além disso, com o foco em organizar, também, o interior, os países desenvolveram mais uma etapa em direção à organização do espaço global.

Neste cenário, os direitos humanos, as questões ambientais e as mudanças climáticas (aquecimento global) acrescentaram a ligação entre países e espaços geográficos, fazendo com que estratégias de organização de um espaço global mais proeminente fossem seguidas pelos atores.

Visão estratégica
Apesar da crescente interconexão geográfica ao redor do mundo, os governos têm se preocupado, até certo ponto, com a redução de seu espaço geográfico em favor da organização do espaço global, um processo que envolve ceticismo e, inevitavelmente, mudança de prioridades. 

Em alguns casos, a exemplo da saída do Trump do tratado de Paris, vemos que as estratégias nacionais (reorganização do espaço do país) voltaram a ser uma prioridade das nações, mas pouca atenção tem sido dada às nuances da reorganização global.

Em uma análise do cenário, podemos entender que isso se deve ao fato de os atores nacionais expressarem, por si próprios, a mentalidade de que os espaços geográficos com fronteiras apertadas podem nos guiar para um espaço seguro, desenvolvido e significativo e as ações atreladas aos sistemas de comunicação globais.

Mas, o advento do coronavírus fez a diferença no espaço global e, diferente de reforçar a necessidade de diminuição dos espaços e aumento de fronteiras, enfatizou a unidade global em todos os aspectos.

Avanço global
O novo coronavírus chega em contraste aos anteriores. Ele acompanhou características atreladas à globalização, indo além da natureza econômica, da velocidade das transformações climáticas (graduais e sutis) e, até mesmo, das questões associadas à segurança de vida, econômica e social. Ou seja, trata-se de um cenário pautado por velocidade de difusão, capacidade de atravessar fronteiras e muito mais.

A pandemia mostrou, simplesmente, que os espaços nacionais estão interligados e interagem entre si, apesar de distintos, e influenciam uns aos outros.

Assim sendo, a única estratégia para prevenir que ele não responda mais ao arranjo do espaço geográfico nacional para os governos, é que essas lideranças sejam capazes de definir e explicar estratégias nacionais de forma conjunta às estratégias de organização global.

Por fim, fechando a percepção alcançada nas últimas semanas e que me geraram esta reflexão, é possível dizer que o universo se tornou um espaço coeso, com o menor impacto possível sobre o espaço local, ganhando consequências que vão além dos cenários nacionais.

Por: Diego de Carvalho, diretor de Porftólio da NürnbergMesse Brasil

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